20081226

"SEJA UM COM TODAS AS COISAS"



(frase de Buda)


"A esperança como obstáculo

A esperança é importante por poder tornar o momento presente mais suportável. Se acreditarmos que amanhã tudo será melhor, podemos encarar a adversidade hoje. Isso é, porém, o máximo que a esperança pode fazer por nós - tornar mais leve as agruras. Quando penso profundamente sobre a natureza da esperança, vejo algo de trágico. Por nos agarrarmos a uma esperança no futuro, não concentramos nossas energias e nossa capacidade no momento presente. Usamos a esperança para acreditar que algo melhor irá acontecer no futuro, que alcançaremos a paz, ou o Reino de Deus. A esperança passa a ser um obstáculo. Se você conseguir se abster da esperança, poderá se dedicar totalmente ao momento presente e descobrir a alegria que já está aqui.

A luz, a paz e a alegria não podem ser concedidas pelos outros. O poço está em nosso íntimo e, se cavarmos o suficiente no momento presente, a água jorrará. Precisamos voltar ao momento presente para que estejamos realmente vivos. Quando praticamos a respiração consciente, estamos praticando a volta ao momento presente, no qual tudo está acontecendo.

A civilização ocidental empresta tanta ênfase à idéia da esperança que acabamos sacrificando o momento presente. A esperança é para o futuro. Ela não pode nos ajudar a descobrir a alegria, a paz e a luz no momento presente. Muitas religiões se baseiam no conceito de esperança, e essa recomendação no sentido de evitá-la pode provocar uma forte reação. Esse choque pode, no entanto, produzir algo importante. Não estou dizendo que não devemos ter esperança, mas que a esperança não basta. Ela pode criar um obstáculo para você e, se você estiver imerso na energia da esperança, não conseguirá voltar por inteiro para o momento presente. Se você canalizar essas energias para uma conscientização do que está ocorrendo no mundo presente, será capaz de romper com tudo e descobrir a alegria e a paz exatamente no momento presente, dentro de si mesmo e em tudo à sua volta.

A. J. Muste, líder do movimento pacifista em meados do século XX no Estado Unidos, que inspirou milhões de pessoas, disse uma vez, 'Não há caminho para a paz. A paz é o caminho.' Essa frase nos diz que podemos concretizar a paz aqui e agora com nosso olhar, nosso sorriso, nossas palavras e nossos atos. O trabalho pela paz não é um meio. Cada passo que damos deveria ser a paz. Cada passo que damos deveria ser a alegria. Cada passo que damos deveria ser a felicidade. Se tivermos determinação, poderemos fazê-lo. Não precisamos do futuro. Podemos sorrir e relaxar. Tudo que desejamos está bem aqui no momento presente." (Thay)

FELICIDADE, aqui e agora!!!!!!!!!!!!

20081211

Parar, Acalmar-se, Descansar e Curar-se



“A meditação Budista tem dois aspectos – shamatha e vipashyana. Existe uma tendência a enfatizar a importância de vipashyana(“olhar em profundidade”), uma vez que ela tem potencial de nos proporcionar insight e nos libertar dos sofrimentos e das aflições. Mas a prática de shamatha(“cessação”) é fundamental. Se não conseguirmos parar, o insight não chegará a nós.

Existe uma história zen sobre um homem e um cavalo. O cavalo está galopando rapidamente, e parece que o homem que cavalga se dirige a algum lugar importante. Outro homem, em pé ao lado da estrada, grita: “Aonde você está indo?” e o homem a cavalo responde: “Não sei. Pergunte ao cavalo!” Esta é a nossa história, Estamos todos sobre um cavalo, não sabemos aonde vamos e não conseguimos parar. O cavalo é a força de nossos hábitos, nossa desatenção, bem como as emoções intensas que nos regem. Quando uma emoção nos assola, ela se assemelha a uma tempestade, que leva consigo a nossa paz. Nós ligamos a TV e depois a desligamos, pegamos um livro e depois o deixamos de lado. O que podemos fazer para interromper este estado de agitação? Como podemos fazer cessar o medo, o desespero, a raiva e os desejos? É simples. Podemos fazer isso através da prática da respiração consciente, do caminhar consciente, do sorriso consciente e da contemplação profunda – para sermos capazes de compreender. Quando estamos prestando atenção e entramos em contato com o momento presente, os frutos que colhemos são a compreensão, a aceitação, o amor e o desejo de aliviar o sofrimento e fazer brotar a alegria.

Mas a força do hábito costuma ser mais forte do que nossa vontade. Dizemos e fazemos coisas que não queremos e depois nos arrependemos. Causamos sofrimento a nós mesmos e aos outros, e de forma geral produzimos grande quantidade de destruição. Podemos ter a firme intenção de nunca mais fazer isso, mas sempre acabamos fazendo de novo. Por quê? Porque a força do hábito(vashana) acaba vencendo e nos levando de roldão.

Precisamos da energia da atenção plena para perceber quando o hábito nos arrasta, e fazer cessar esse comportamento destrutivo. Com atenção plena, temos a capacidade de reconhecer a força do hábito a cada vez que ela se manifesta. “Alô força do hábito, sei que você está aí!” Nessa altura, se conseguirmos simplesmente sorrir, o hábito perderá grande parte de sua força. A atenção plena é a energia que nos permite reconhecer a força do hábito e impedi-la de nos dominar.

Por outro lado, o esquecimento ou negligência é o oposto. Tomamos uma xícara de chá sem sequer perceber o que estamos fazendo. Sentamo-nos com a pessoa que amamos mas não percebemos que a pessoa está ali. Andamos sem realmente estar andando. Estamos sempre em outro lugar, pensando no passado ou no futuro. O cavalo dos nossos hábitos nos conduz, e somos prisioneiros dele. Precisamos deter este cavalo e resgatar nossa liberdade. Precisamos irradiar a luz da atenção plena em tudo o que fizermos, para que a escuridão do esquecimento desapareça. A primeira função da meditação – shamatha – fazer parar.

A segunda função da shamatha é acalmar .Quando sofremos uma emoção forte sabemos que talvez seja perigoso agir sob sua influência, mas não temos força nem clareza suficientes para abstermos. Precisamos aprender a arte de respirar, de inspirar e expirar, parando tudo o que estamos fazendo e acalmando nossas emoções. Precisamos aprender a nos tornar mais estáveis e firmes, como se fossemos um carvalho, e não nos deixar arrastar pela tempestade de um lado para o outro. O buda ensinou uma variedade de técnicas para nos ajudar a acalmar o corpo e a mente, e considerar a situação presente em toda a sua profundidade. Essas técnicas podem ser resumidas em cinco estágios:

(1)Reconhecimento – se estamos zangados, dizemos “reconheço que a raiva está dentro de mim”.

(2)Aceitação – quando estamos zangados, não negamos a raiva. Aceitamos aquilo que está presente em nós.

(3)Acolher – abraçamos a raiva como faz uma mãe com o filho que chora. Nossa atenção plena acolhe a emoção, e só isso já é capaz de acalmar a raiva e a nós mesmos.

(4)Olhar em profundidade – quando nos acalmamos o suficiente, conseguimos observar profundamente para entender o que provocou a raiva, ou seja, o que está fazendo o bebê chorar.

(5)Insight – o fruto do olhar profundo é a compreensão das causas e condições, tanto primárias quanto secundárias, que provocaram a raiva e fizeram nosso bebê chorar. Talvez ele esteja com fome. Talvez o alfinete da fralda o esteja machucando. Talvez nossa raiva tenha surgido quando um amigo nos falou em um tom ofensivo, mas de repente nos lembramos de que essa pessoa não está bem hoje porque seu pai está muito doente. Continuamos a refletir dessa forma, até compreendermos a causa do nosso atual sofrimento. A compreensão nos dirá o que fazer ou não fazer para mudar a situação.


Depois de nos acalmarmos, a terceira função da shamatha é o repouso. Suponha que alguém nas margens de um rio joga uma pedra para o ar e a pedra cai no rio. A pedra afunda lentamente e chega ao fundo sem esforço algum. Depois que a pedra chega ao fundo do rio, ela descansa, deixando que agua passe por ela. Quando sentamos para meditar podemos nos permitir repousar da mesma forma que essa pedra. Podemos nos deixar afundar naturalmente, na posição sentada – repousando, sem fazer esforço. Temos que aprender a arte de repousar, permitindo que nosso corpo e nossa mente descansem. Se tivermos feridas em nosso corpo e em nossa mente precisamos repousar para que elas possam por si só se curar.

(...)


Parar, acalmar-se e descansar são pré-requisitos para a cura. Se não conseguirmos parar, nosso ritmo de destruição simplesmente vai prosseguir. O mundo precisa imensamente da cura. Os indivíduos, comunidades e países estão cada vez mais necessitado de cura.”
(Thay)

20081206

Os doze giros da roda do Dharma


O presente do Buda:

“A roda do Dharma foi posta em movimento doze vezes – três vezes para cada uma das Quatro Nobres Verdades. Para entender essas Quatro Nobres Verdades, não apenas intelectualmente, mas através da experiência, temos que praticar os doze giros da roda.

A primeira volta é chamada de ‘Reconhecimento’. Sentimos que alguma coisa está errada, mas não sabemos exatamente o que é. Tentamos escapar e não conseguimos. Também tentamos negar o sofrimento, mas ele persiste. O Buda disse que sofrer, e não saber que se está sofrendo, é mais doloroso que o peso suportado pela mula que carrega um grande fardo. Antes de mais nada, precisamos reconhecer que sofremos, e a seguir temos que determinar se a causa do sofrimento é física, psicológica ou fisiológica. Nosso sofrimento tem que primeiro ser identificado.

Reconhecer e identificar o sofrimento é como o trabalho de um médico diagnosticando uma doença. Ele diz: ‘Quando eu aperto aqui, dói?”, nós respondemos: ‘Sim, essa é a minha dor. Isso me aconteceu.’ As feridas em nosso coração passam a ser objeto de nossa meditação. Nos a mostramos ao médico, e também ao Buda, o que significa que mostramos a nós mesmos. Nosso sofrimento está em nós, e devemos tratá-lo com bondade e sem violência. Precisamos abraçar nosso medo, nosso ódio, angústia, ou raiva. ‘Meu querido sofrimento, eu sei que você está aí. Eu estou aqui e vou tomar conta de você.’ Assim, paramos de fugir da dor e identificamos, reconhecemos com a coragem e a ternura de que somos capazes.

O segundo giro da roda chama-se ‘Encorajamento’. Depois de identificar e reconhecer a nossa dor, olhamos para ela sem pressa, com atenção, tentando compreender sua verdadeira natureza, para tentar poder conhecer suas causas. Depois de observar os sintomas, o médico diz: ‘Vou pensar profundamente sobre esse caso. Essa doença pode ser compreendida.’ E talvez demore uma semana, fazendo exames e perguntando o que comemos, quais são nossas atitudes, como passamos nosso tempo, etc. Mas ele está determinado a entender a doença.

Todos os nossos sofrimentos – depressão, doença, um relacionamento difícil ou medo – necessitam ser entendidos e, assim como um médico, tomaremos a decisão de entender o que está acontecendo. Ao fazer isso, vemos que as causas do sofrimento são passíveis de serem reconhecidas, e nos esforçaremos para chegar ao fundo da questão. Nesse estágio, nossa prática ainda pode sofrer dificuldades’.

O terceiro giro da roda é a ‘Realização’ e pode ser expresso como ‘Este sofrimento é passível de ser entendido.’ Durante o segundo giro, nós entendemos os esforços feitos. Um médico nos diz o nome e as características de nossa doença. Depois de estudar, refletir e praticar a Primeira Nobre Verdade, entendemos que finalmente vamos parar de fugir da dor. Agora já podemos dar ao nosso sofrimento um nome específico, e identificar suas características próprias. Isso já nos proporciona alguma felicidade e alegria, desta vez sem ‘dificuldades’.

Mesmo assim, depois de diagnosticar a nossa doença continuamos pro algum tempo a gerar sofrimento. Lançamos gasolina ao fogo através de palavras, pensamentos e atos, muitas vezes sem perceber. O primeiro giro da roda da Segunda Nobre Verdade é o ‘Reconhecimento’: eu continuo a criar sofrimento. O Buda diz: ‘Quando algo passa a existir, temos que reconhecer as presença e observar com profundidade sua natureza. Quando contemplamos, descobrimos os tipos de nutrientes que contribuíram para produzir sofrimento no passado, e que ainda hoje continuam a alimentá-lo’. A seguir ele enunciou os quatro tipos de nutrientes capazes de nos conduzir à felicidade ou ao sofrimento: alimento, impressões sensoriais, intenção e consciência.

O primeiro nutriente é o alimento. Aquilo que comemos ou bebemos pode promover o sofrimento mental ou físico. Temos que ser capazes de discernir entre o que é saudável e o que nos prejudica. Precisamos praticar a Compreensão Correta ao fazermos compras, cozinharmos e nos alimentarmos. O Buda nos deu um exemplo sobre isso: Um jovem casal e seu filho de dois anos tentavam atravessar o deserto, e a comida acabou. Depois de muita reflexão, os pais entenderam que para sobreviver teriam que matar a criança e comer sua carne. Calcularam que se comessem a cada dia um certo percentual da carne da criança e carregassem o restante nas costas teriam o suficiente para o resto da jornada. Mas a cada pedaço de carne que comiam, eles choravam mais e mais. Depois de contar a história, o Buda perguntou: ‘Caros amigos, vocês acham que o jovem casal teve prazer em comer a carne de seu filho?’’Não senhor, não seria possível ter prazer em algo assim.’ O Buda disse: ‘Entretanto, muitas pessoas comem a carne de seus pais, seus filhos e seus netos, sem ter muita consciência disso’.

Grande parte de nosso sofrimento resulta de não prestarmos atenção ao nosso corpo e ao que comemos. Temos que desenvolver formas de comer que preservem a saúde e o bem estar de nosso corpo e de nosso espírito. Quando fumamos, bebemos ou consumidos toxinas em excesso, estamos comemos nossos próprios pulmões, fígado e coração. Se temos filhos e assim mesmo continuamos a fazer essas coisas, estamos comendo a carne de nossos filhos. Eles necessitam de pais fortes e saudáveis.

Temos que pensar com seriedade na forma pela qual plantamos e criamos nossos alimentos, para podermos observar o bem estar coletivo, minimizando o sofrimento de nossa espécie e das outras, e permitindo que a Terra continue sendo uma fonte de vida para todos nós. Se quando comemos destruímos outras criaturas ou o meio ambiente, estamos comendo a carne de nossos filhos. Precisamos analisar e discutir todos juntos o problema da alimentação – como comer, o que comer, e o que recusar. Esta seria uma verdadeira discussão sobre o Dharma.” (Thay)

20081205

As Quatro Verdades Sagradas



“Buda não era um deus. Era um ser humano como você e eu e que sofreu como nós sofremos. Se nos dirigirmos ao Buda com o coração aberto, ele olhará para nós com seus olhos cheios de compaixão e dirá: ‘como existe sofrimento em seu coração, é possível você penetrar no meu’. (...) so seu sofrimento e o meu são as condições indispensáveis para que possamos penetrar no coração do Buda e ele nos nossos.

Durante quarenta e cinco anos Buda repetiu: ‘meu ensinamento é sobre o sofrimento e sua transformação’. Quando reconhecemos e admitimos nosso sofrimento, o Buda – istoé, o Buda dentro de nós – olhará para ele, descobrirá sua causa e prescreverá uma via de ação capaz de transformar o sofrimento em paz, alegria e liberação. O sofrimento foi o meio que o Buda usou para libertar a si mesmo, e também o meio pelo qual todos nós podemos nos libertar.

O oceano de sofrimento é imenso, mas se você olhar ao redor, poderá ver também terra firme. A semente do sofrimento dentro de você pode ser muito forte, mas não espere o sofrimento terminar antes de se permitir ser feliz. Quando uma árvore está doente em nosso jardim, precisamos cuidar dela, mas isso não significa que devemos ignorar todas as árvores sadias que existem ao redor. Mesmo com o coração dolorido podemos usufruir as maravilhas da vida – um lindo pôr-do-sol, o sorriso de uma criança, lindas flores e inúmeras árvores. Sofrer apenas não é suficiente. Por favor, ao se deixe aprisionar em seu sofrimento.

Se você já passou fome, sabe que ter comida é um milagre. Se você já sentiu frio, sabe o quanto o calor é precioso. Quando alguém já sofreu, é capaz de apreciar os elementos paradisíacos que existem ao seu redor. Se você se limitar ao sofrimento, deixará de vivenciar o paraíso. Não ignore o sofrimento, mas também não deixe de usufruir todas as alegrias da vida, não só em seu nome mas também em benefício da multiplicidade de criaturas que existem nesse mundo.”

“Siddhartha Gautama tinha 29 anos quando deixou sua família para procurar uma forma de acabar com o sofrimento – o seu e o dos outros. Ele estudou meditação com diversos mestres, e depois de 6 anos de pratica, sentou-se sob a àrvore bodhi, uma figueira, jurando não se levantar até alcançar a iluminação. Ficou sentado ali durante toda a noite, e no momento em que surgiu a estrela da manhã ele conseguiu o que buscava, transformando-se em Buda, cheio de compreensão e amor.

O Buda ensinou as Quatro Nobres Verdades da existência do sofrimento, as causas do sofrimento, a possibilidade de recobrar o bem-estar, e o Nobre Caminho Óctuplo, que conduz ao bem-estar.

O Buda declarou: ‘Queridos amigos, tendo por testemunha seres humanos, deuses, brâmanes, monges e maras, eu vos digo que se não tivesse experimentado diretamente tudo o que afirmo aqui, jamais proclamaria ser uma pessoa iluminada e liberta do sofrimento. Devido ao fato de eu mesmo ter identificado o sofrimento, removido as causa do sofrimento, confirmado a existência do bem-estar, obtido o bem-estar, identificado o caminho para o bem-estar, ido até o final do caminho e realizado a liberação total, eu agora proclamo a vocês que sou uma pessoa livre. Neste momento, a terra estremeceu e as vozes dos deuses dos seres humanos e de outros seres vivos de todo o cosmo bradaram que no planeta terra havia nascido uma pessoa iluminada e que tinha colocado em movimento a Roda do Dharma, o caminho do amor e da compreensão.”

“Depois de atingir o despertar completo e perfeito, o Buda precisou encontrar palavras para compartilhar seu insight (compreensão por meio de prática e intuição) com as outras pessoas. Ele já tinha a água, mas precisava descobrir vasilhas como as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo para poder transportar. As Quatro Nobres Verdades é o que há de melhor no ensinamento de Buda.

Essas quatro verdades não são algo que se possa discutir. Elas são para se praticar e entender.

A Primeira Nobre Verdade é a existência do sofrimento. Todos sofremos de algum modo, todos padecemos de alguma doença, no corpo ou na mente. Temos que reconhecer que esse sofrimento existe, e entra em contato com ele.

A Segunda Nobre Verdade versa sobre a origem, as raízes, a natureza, a criação e o surgimento do sofrimento. Depois de entrarmos em contato com o nosso sofrimento, é preciso olhar atentamente para ele, para entendermos de onde surgiu. Precisamos reconhecer e identificar os alimentos matérias e espirituais que ingerimos e que causaram sofrimento.

A Terceira Nobre Verdade é a cessação da produção do sofrimento, quando evitamos aquelas coisas e atitudes que resultaram em sofrimento. O Buda não negou a existência do sofrimento, mas também não negou a existência da alegria e da felicidade. Se você acha que o budismo afirma que ‘tudo é sofrimento e não há nada a ser feito’, está enganado, porque isso contraria diretamente a mensagem de Buda. O Buda nos ensinou a reconhecer a presença do sofrimento, mas também ensinou a fazer com que esse sofrimento cesse. A Terceira Verdade nos diz que a cura é possível.

A Quarta Nobre Verdade é o caminho que nos conduz à abstenção das coisas que geram sofrimento. Esse é o caminho de que mais precisamos. O Buda o chamou de Nobre Caminho Óctuplo.” (Thay)

20081204

Deus na Antecâmara

Mereço (merecemos, meretrizes)
perdão (perdoai-nos, patres conscripti)
socorro (correi, valei-nos, santos perdidos)


Eu quero me livrar desta poesia infecta
beijar mãos sem elos sem tinturas
consciências soltas pelos ventos
desatando o culto das antecedências
sem medo de dedos de dados de dúvidas
em prontidão sangüinária


(sangue e amor se aconchegando
hora atrás de hora)


Eu quero pensar ao apalpar
eu quero dizer ao conviver
eu quero partir ao repartir

filho

pai

e

fogo

DE-LI-BE-RA-DA-MEN-TE


abertos ao tudo inteiro
maiores que o todo nosso
em nós (com a gente) se dando


HOMEM: ACORDA!



(Ana Cristina César)

O seu amor


"Por que é tão difícil se relacionar?

Porque você ainda não é. Você ainda não nasceu, é apenas uma potencialidade. Você ainda não está preenchido, e só duas pessoas preenchidas podem se relacionar. Relacionar-se é uma das melhores coisas da vida: relacionar-se significa compartilhar. Mas antes de poder compartilhar, você tem que ter. E antes de poder amar, você deve estar cheio de amor, transbordando de amor.

Duas sementes não podem se relacionar, elas estão fechadas. Duas flores podem se relacionar, elas estão abertas, podem mandar suas fragrâncias uma à outra, podem dançar no mesmo sol e no mesmo vento, podem dialogar, podem sussurrar. Mas isso não é possível para duas sementes. As sementes são totalmente fechadas, sem janelas - como podem se relacionar?

Milhões de pessoas decidem não crescer. Elas permanecem sementes, permanecem potencialidades, nunca se tornam realidade. Se você se relaciona, você respeita, você não pode possuir. Se você se relaciona, há uma grande reverência. Se você se relaciona, chega perto, muito perto, em profunda intimidade, se sobrepõe. Contudo, a liberdade do outro não é invadida, o outro permanece um indivíduo independente. O relacionamento é o do eu-você e não do eu-isso - se sobrepondo, interpenetrando, todavia num sentido independente."

Por Osho
http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2005/08/relacionamentos.html

Para ouvir

http://www.youtube.com/watch?v=DsGnmegszew
O Seu Amor
Doces Barbaros

Composição: Gilberto Gil

O seu amor
Ame-o e deixe-o
Livre para amar
Livre para amar
Livre para amar
O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
O seu amor
Ame-o e deixe-o brincar
Ame-o e deixe-o correr
Ame-o e deixe-o cansar
Ame-o e deixe-o dormir em paz
O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ser o que ele é
Ser o que ele é
Ser o que ele é.

20081203

O caminho do despertar



“O objetivo da prática do dharma é alcançar um estado de genuíno bem-estar que flui de uma fonte de conscientização pura e clara. Os antigos indianos chamavam de mahasukha a esse estado de grande bem-aventurança que surge não dos estímulos dos prazeres, mas da natureza da consciência pura de si mesmo. Isto não é simplesmente uma sensação feliz; é um modo de ser que fundamenta e permeia todos os estados emocionais, que abarca todas as alegrias e tristezas que atravessam nosso caminho. É um modo de lidar com vida sem confusão. Os indianos e tibetanos o conhecem. O interessante é que não temos uma palavra no inglês moderno para designá-lo. Talvez tenha haver com o fato de sabermos bem mais a respeito de doenças mentais do que de saúde mental.

Anos atrás, perguntei ao diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos como os médicos definiam a saúde mental. Ele respondeu que não havia uma definição amplamente aceita, já que não possuíam dados suficientes! Mas tinham muitos dados sobre as desordens mentais e que, segundo estimativas conservadoras, uma em cada cinco pessoas, pelos menos nos EUA, sofriam ou estavam propensas a sofrer de alguma desordem mental séria, diagnosticável e tratável em algum momento durante sua vida.

Para aqueles que não estão sofrendo, por hora, de uma doença mental diagnosticável, é o momento de perguntar: o que há de tão importante em ser normal? Mesmo sendo normais, ainda estamos sujeitos a uma ampla gama de problemas mentais com suas conseqüentes angustias. Vamos agora à provocativa questão: até que ponto é possível ser mentalmente saudável? Existe um limite? Até que ponto temos de permanecer em contato com a realidade para atingir a suprema saúde mental? Um caminho que resistiu aos testes, por séculos, é a prática do dharma. E o que é dharma? Um de seus significados é simplesmente a verdade, especificamente aquelas verdades que, quando alcançadas, conduzem a um estado de felicidade genuíno, duradouro, que não depende de estímulos prazerosos.”
(Psicólogo, Allan Wallace)

Good Vibe For You



Muita gente faz a opção pela alegria

" Good Vibe é um estado de espirito, uma religião, um modo diferente de se enxergar as coisas. Um estado alcançado somente no Nirvana.

Imagine-se com total controle dos seus sentidos, todos eles totalmente intensificados de tal forma que ver, ouvir e sentir se tornem magicamente prazerosos e intensos!
Imagine um transe onde todos estão felizes e não existe dor, fome, inveja, angústia, tristeza e todos os sentimentos ruins pudessem ficar do lado de fora...
Psicodélico, intenso. O som, a batida de um só estilo de música, pode fazer tudo isso!!!
É possível??? Um lugar onde milhares de pessoas estão na mesma vibração de espírito, de alma, onde só um ritmo faz com que o mundo seja outro, faz com que todas as pessoas sintam-se felizes???
Se vc um dia puder enxergar com os olhos “de ver”, assim como eu vejo. Um mundo onde todas as pessoas são felizes e nada é ruim. Nesse mundo só tocaria música eletrônica e esse mundo chamaria-se Rave!"
*Good Vibe* => Vibrações Inteligentes que Beneficiam a Existência!

Comunidade orkut Good Vibe For You
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=5696382

Vinte e quatro horas novinhas em folha



"Todas as manhãs, quando acordamos, temos vinte e quatro horas novinhas em folha para viver. Que dádiva preciosa! Temos a possibilidade de viver de uma forma que essas vinte e quatro horas tragam paz, alegria e felicidade a nós mesmos e os outros.

A paz está presente aqui e agora em nós mesmos e em tudo que fazemos e vemos. A questão é estar ou não em contato com ela. Não precisamos fazer uma longa viagem para admirar o azul do céu. Não precisamos sair da cidade ou sequer da nossa vizinhança para apreciar os olhos de uma linda criança. Até mesmo o ar que respiramos pode ser uma fonte de alegria.

Podemos sorrir, respirar, caminhar e fazer nossas refeições de uma forma que nos permita entrar em contato com toda a felicidade que existe a nosso dispor. Somo muito bons na preparação para a vida, mas não o somos na vida em si. Sabemos sacrificar dez anos em troca de um diploma e nos dispomos a trabalhar duramente para obter um emprego, um carro, uma casa e assim por diante. Temos, porém, dificuldade para nos lembrarmos de que estamos vivos no presente momento, o único momento que existe para estarmos vivos. Cada respiração, cada passo pode estar repleto de paz, alegria e serenidade. É necessário apenas que estejamos despertos, vivos no momento presente”

“ Se uma criança sorri, se um adulto sorri, é muito importante. Se em nossa rotina pudermos sorrir, se pudermos ser felizes e cheios de paz, não só nós, mas todos se beneficiarão. Se realmente sabemos viver, existe melhor maneira de começar o dia do que com um sorriso? Nosso sorriso afirma nossa consciência e determinação no sentido de viver em paz e alegria. A fonte de um sorriso verdadeiro está na mente alerta.

Quando vejo alguém sorrir, sei logo que ele está imerso na percepção.(...) O sorriso da Monalisa é leve, no entanto mesmo um sorriso desses basta para relaxar todos os músculos do corpo, para expulsar toda preocupação e cansaço. O mais leve esboço de um sorriso reforça a percepção e nos acalma como que por milagre. Ele nos restaura a paz que considerávamos perdida.

Nosso sorriso pode trazer paz para nós e os que nos cercam. Mesmo se gastássemos muito dinheiro em presentes para todos os nossos familiares, nada que pudéssemos comprar lhes daria tanta felicidade quanto a dádiva da nossa atenção, do nosso sorriso. E essa dádiva preciosa não custa nada.” (thay)

20081130

Ver, Saber





"Ver, Saber

“A avidez dos garimpeiros pelo ouro – chafurdando dia e noite na lama, ‘comendo a terra da floresta como espíritos-queixada (warëripë)’ – e as febres mortais que espalham propõem um trágico enigma para os Yanomami. Davi atribui essa violência predatória, em primeiro lugar, à ignorância dos brancos, à ‘escuridão confusa’ de seu pensamento ‘plantado nas mercadorias’. Dessa maneira, ele sublinha o antagonismo irredutível entre dois modos de conhecimento, o dos ‘estrangeiros, inimigos’, que tem suas raízes na escrita, e o dos Yanomami, fundado na visão – conhecimento xamânico:


Nós, Yanomami, que somos xamãs, vemos-conhecemos (taai-). Vemos a floresta. Depois de tomar o poder alucinógeno de suas árvores, nós vemos. Fazemos os espíritos da floresta, os espíritos xamânicos, dançarem suas danças de apresentação. Vemos com nossos olhos. Depois de ‘morrer’ sob o poder do alucinógeno, vemos a ‘imagem essencial’ da floresta. Vemos o céu sobrenatural. Nossos ancestrais o viam antes e nós continuamos a vê-lo. Nós não estudamos nem vamos à escola. Vocês, brancos, vocês mentem. Não vêem – conhecem – as coisas. Vocês acham que as conhecem, mas só vêem os desenhos de sua escrita.

(...)

Os garimpeiros são hostis a nós porque são como espíritos maléficos; são filhos de comedores de terra-floresta. Eles dizem que nós somos ignorantes, mas estão errados. É o contrário. Somos nós que sabemos das coisas e que protegemos a floresta. Somos amigos da floresta porque nossos espíritos xamânicos são os seus guardiões. (...) São eles que nos fazem pensar direito e ficar lúcidos. Quando estão perto de nós, fazem crescer nossa mente, fazem-na ir longe. Nosso pensamento não é fixado em outras palavras. É fixado na floresta, nos espíritos xamânicos. Os brancos não conhecem esses espíritos, nem a imagem do princípio de fertilidade da floresta. Eles acham que ela só existe à toa, por isso a destroem.”(Bruce Albert / David Kopenawa, xamã yanomami)

Aves do Paraíso




Assista o vídeo

Baleias Voadoras

Assista o vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=LGZeT07rqlU
“Esta é a prática de enxergar profundamente, de tocar a realidade, e de viver totalmente consciente. Você enxerga e toca todas as coisas como uma experiência e não como uma noção. A noção do homem ser mais importante que as outras espécies é uma noção errada. Buda nos ensinou a ser cuidadosos com nosso meio ambiente. Ele sabia que, cuidando das arvores, estamos cuidando dos homens. Precisamos viver nosso dia-a-dia com esse tipo de consciência. Isso não é filosofia. Precisamos desesperadamente de total consciência para que nossos filhos e netos estejam a salvo. A idéia de que o homem pode fazer qualquer coisa que queira às custas de elementos não-eu é uma noção ignorante e perigosa.”(Thai)