
“O objetivo da prática do dharma é alcançar um estado de genuíno bem-estar que flui de uma fonte de conscientização pura e clara. Os antigos indianos chamavam de mahasukha a esse estado de grande bem-aventurança que surge não dos estímulos dos prazeres, mas da natureza da consciência pura de si mesmo. Isto não é simplesmente uma sensação feliz; é um modo de ser que fundamenta e permeia todos os estados emocionais, que abarca todas as alegrias e tristezas que atravessam nosso caminho. É um modo de lidar com vida sem confusão. Os indianos e tibetanos o conhecem. O interessante é que não temos uma palavra no inglês moderno para designá-lo. Talvez tenha haver com o fato de sabermos bem mais a respeito de doenças mentais do que de saúde mental.
Anos atrás, perguntei ao diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos como os médicos definiam a saúde mental. Ele respondeu que não havia uma definição amplamente aceita, já que não possuíam dados suficientes! Mas tinham muitos dados sobre as desordens mentais e que, segundo estimativas conservadoras, uma em cada cinco pessoas, pelos menos nos EUA, sofriam ou estavam propensas a sofrer de alguma desordem mental séria, diagnosticável e tratável em algum momento durante sua vida.
Para aqueles que não estão sofrendo, por hora, de uma doença mental diagnosticável, é o momento de perguntar: o que há de tão importante em ser normal? Mesmo sendo normais, ainda estamos sujeitos a uma ampla gama de problemas mentais com suas conseqüentes angustias. Vamos agora à provocativa questão: até que ponto é possível ser mentalmente saudável? Existe um limite? Até que ponto temos de permanecer em contato com a realidade para atingir a suprema saúde mental? Um caminho que resistiu aos testes, por séculos, é a prática do dharma. E o que é dharma? Um de seus significados é simplesmente a verdade, especificamente aquelas verdades que, quando alcançadas, conduzem a um estado de felicidade genuíno, duradouro, que não depende de estímulos prazerosos.”
(Psicólogo, Allan Wallace)
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